
O Discurso do Ódio
André Glucksmann Difel, 272 páginas, R$ 32
Se você acha que a miséria leva à violência, que os EUA são culpados pelos problemas do mundo e que Bin Laden é um justiceiro, não deixe de ler este livro. O filósofo André Glucksmann explica o mundo de hoje a partir do ódio. Terroristas que caçam motivos para justificar sua vontade de destruir, ativistas que criam enredos para arranjar um culpado por seus problemas; cantores de rap exaltando ódio à “elite branca”. O autor alerta: no tempo das bombas atômicas, o discurso do ódio pode causar um estrago pior que a 2ª Guerra Mundial.
Frase: “Já não havíamos relegado os ódios coletivos aos livros de história e remetido as perversões individuais para os bons psicólogos?”
Para quem ama.
Texto Leandro Narloch
Propaganda Monumental
Vladímir Voinóvitch Planeta, 384 páginas, R$ 34
Propaganda monumental foi a tendência artística soviética de criar obras grandiosas para transmitir a impressão de força e potência. No romance de Voinóvitch, famoso satirista russo, uma mulher leva um exemplar dessa propaganda para casa. Stalinista ferrenha, incapaz de assimilar as mudanças na linha do Partido Comunista da União Soviética na década de 1950, ela salva uma estátua de Stálin da destruição e a acolhe em seu apartamento. Com essa alegoria, Voinóvitch monta uma trama cômica sobre o fanatismo soviético e o amor à Stálin.
Frase: “No Deus celeste ela não acreditava. Seu Deus terrestre era Stálin.”
Para quem o sonho socialista já acabou.
Texto Natalia Engler
O Mito da Monogamia
David Barash e Judith Liptonv, Record 320 páginas, R$ 42
Da Drosophila ao Homo sapiens, ninguém é fiel. Quanto mais relações com diferentes pares, maior a chance de encontrar um bom reprodutor, investir na variabilidade genética e conceber filhotes mais atraentes. Isso é o que a natureza diz à ciência. O Mito da Monogamia apresenta as razões biológicas da infidelidade, mas mostra também como a influência do poder e da religião decide as relações afetivas e sexuais. Um bom livro para entender o quanto ainda somos parecidos com chimpanzés ou andorinhas, mas, principalmente, para compreender por que podemos ser diferentes dos animais.
Frase: “O poder é o melhor afrodisíaco.”
Para quem cultiva instintos animais.
Texto Paula Nadal