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Superinteressante edição 243
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Errar é humano

Texto André Santoro e Gabriel Louback

Desde que a SUPER foi lançada, há 20 anos, foram muitos acertos: reportagens premiadas, infográficos matadores, edições esgotadas nas bancas e vários outros episódios que nos enchem de orgulho. Acontece que nós, como todo mundo, às vezes viajamos na maionese, pisamos na bola e pagamos mico. Fuçamos no nosso arquivo e selecionamos 10 deslizes que merecem registro na história da revista. Tomara que isso nunca mais acontessa... opa!

A profecia que não se realizou

“Fio Maravilha” (outubro de 1987)

Em sua 1ª edição, a SUPER estampou na capa a ilustração de um trem que levitava sobre os trilhos graças aos supercondutores – materiais que conduzem eletricidade sem nenhuma perda de energia. A reportagem apresentava as maravilhas dessa tecnologia e prometia uma revolução (que não aconteceu) até o fim do século passado. Entre outras profecias, a reportagem dizia que teríamos baterias superpotentes, capazes de armazenar energia sem nenhum desperdício. Mas a ciência ainda não descobriu como fabricar supercondutores que funcionem na temperatura ambiente – os atuais só são capazes de conduzir eletricidade sem perdas em um ambiente de frio muito intenso.

Bate, coração

“A Aposentadoria do Estetoscópio” (janeiro de 1992)

Você já ouviu falar no fonocardiógrafo espectral dinâmico? Em 1992, na seção Notícias Superinteressantes, a Super apresentou esse aparelho como o substituto do estetoscópio, instrumento que os médicos usam para escutar as batidas do coração. A novidade seria capaz de diagnosticar precocemente vários problemas cardíacos. Mas não vingou, ao contrário da previsão de que o estetoscópio estaria condenado a virar “peça de museu”, segundo a revista.

Mais pesado que o ar

“Revolução a Bordo” (abril de 1988)

Duas décadas atrás, a nova maravilha da indústria da aviação civil atendia pela sigla A320 – sim, é a aeronave da tragédia de Congonhas. O avião fabricado pela empresa Airbus mereceu reportagem que destacava todas as inovações da aeronave que acabava de ser lançada. Em um trecho, o texto dizia o seguinte: “No A320, se o piloto e o co-piloto perderem a cabeça, os cérebros eletrônicos conservarão o juízo”. As causas do acidente em São Paulo ainda não foram esclarecidas, mas é certo que a máquina não é à prova de falhas.

Quase uma peça de museu

“Faxmania sem Fronteiras” (março de 1990)

No início da década de 1990, a internet para uso doméstico só existia em sonhos. E a 8ª maravilha da humanidade era uma máquina capaz de transmitir as palavras e imagens de uma folha de papel pela linha telefônica: o fax. Hoje, com o e-mail e a facilidade da transmissão de dados entre computadores, quase ninguém mais usa o aparelho. Mas a reportagem acreditava que o reinado do fax duraria bastante: “Em qualquer previsão que se faça, as máquinas transmissoras de papel estão presentes, com todo seu poder de sedução, que bem poderia chamar-se fax-appeal”.

Arte abstrata

“Clara Água, Cara Água” (maio de 1995)

Em uma reportagem sobre a ameaça de falta d’água, a Super cometeu um erro primário em um infográfico que deveria explicar o ciclo da água: a ilustração saiu sem nenhum título ou legenda. Os leitores boiaram, mas o deslize foi corrigido na edição seguinte: o desenho foi publicado novamente, desta vez com os textos explicativos.

Nós temos (cheiro de) banana

“Nariz x Nariz” (maio de 1997)

Na capa, a foto de uma mulher cheirando uma flor e uma mensagem explícita – “Cheire Esta Revista” – convidavam o leitor a esfregar o nariz no papel para sentir o aroma de... banana! Para destacar a matéria de capa sobre o olfato, foi aplicado um aroma especial nas tintas que foram usadas na revista. O truque, aparentemente, era genial. Mas os leitores não se empolgaram muito... e a redação ficou com um cheiro insuportável de essência de banana durante várias semanas!

Voa passarinho, voa

“Atração Entre Iguais” (agosto de 1999)

“E Se... Não Usássemos Roupas?” (outubro de 2002)

Foi sem querer. Mesmo. Mas em duas ocasiões a revista publicou fotos um pouco mais eróticas do que deveria. O primeiro episódio aconteceu em agosto de 1999, na reportagem sobre homossexualidade animal. Em uma foto onde se vêem elefantes no maior rala-e-rola, o que parece uma tromba não é, exatamente, uma tromba. E o segundo foi em outubro de 2002, num texto sobre o que aconteceria se vivêssemos pelados. Não vamos apontar o deslize, mas alguns leitores perceberam um detalhe anatômico de um rapaz entusiasmado oculto em meio a tantas bundas.

2 + 2 = 5

“Números Camuflados” (outubro de 1997)

Eis uma prova incontestável da atenção – e dedicação – de quem lê a Super. Na reportagem sobre os números escondidos no nosso cotidiano – a geometria das flores, as proporções do corpo humano e outras curiosidades – várias mancadas foram flagradas pelos leitores. Apenas uma amostra da correção publicada na edição de dezembro do mesmo ano: “A soma dos divisores de 220 não está dando 284 como seria esperado, pois ficou faltando um dos divisores, o número 22. Os números 33 e 39 não são primos”... Daquela vez, tiramos zero em matemática.

A Estrela da vergonha

“O Direito de Morrer” (março de 2001)

O quadro explicativo sobre a interpretação de cada religião sobre a eutanásia virou motivo de revolta de alguns leitores. E eles tinham razão de protestar. Na pesquisa de imagens para ilustrar o quadro, faltou atenção: sem que ninguém percebesse, o símbolo escolhido para representar o judaísmo foi a estrela de pano que os nazistas obrigavam os judeus a usar.

Denúncia anônima

“Máfia no Brasil” (junho de 2007)

Quem achava que máfia era coisa de bandido italiano se surpreendeu com esse texto, que mostra a organização criminosa por trás de vários negócios ilegais no Brasil, como os bingos e os caça-níqueis. O problema é que a revista esqueceu de apontar os autores da matéria. Repórter, designer, ilustrador, fotógrafo e editor não foram devidamente apresentados ao leitor, como acontece em qualquer reportagem da Super. A redação jura que foi um descuido na hora de finalizar as páginas. Mas teve gente que acreditou que foi medo de vingança.

 

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