
Nós da Super, de vez em quando, entregamos a você capas sombrias – negras até – como a deste mês. Não é nosso interesse espalhar o medo, nem surfar nas ondas dele, como um pedaço tão grande da imprensa tem feito nestes tempos de PCC. A questão é que esta revista, que como regra vê o mundo com um olhar positivo, construtivo, tem uma obrigação histórica. É a Super, mais do que qualquer outra publicação brasileira, que tem o dever de enxergar antes aquilo que está lá no horizonte, e de contar ao leitor o que vem pela frente. Mesmo que não seja algo lá muito bonito de ver.
Pegue como exemplo nossa capa de um ano atrás, tão bombástica quanto a deste mês. "O Fim do Mundo Começou", dizíamos, com as maiores letras que conseguimos fazer caber na moldura vermelha. Discutíamos ali o aquecimento global e o colapso ambiental que ele está causando no planeta. Faz 4 décadas que se fala disso, mas mesmo assim muita gente trata do assunto como se fosse uma ameaça de mentirinha, que desaparecerá se você parar de olhar para ela. Pois bem, ela não está desaparecendo. Na verdade, está crescendo e se tornando mais concreta, mais palpável – e mais mortal. Precisávamos dizer isso de um jeito enfático, claro, impactante, que não pudesse ser ignorado.
Na época teve leitor que nos acusou de sensacionalismo, de imprudência. Hoje, aquela idéia já se espalhou. Oito meses depois da nossa capa, até a geralmente sisuda revista Veja anunciava numa capa parecida o "apocalipse" ambiental.
Nossa capa deste mês – "Terceira Guerra Mundial" – fala de um assunto igualmente complexo e assustador. Mas, se tínhamos convicção do desastre quando o assunto era aquecimento global, hoje navegamos por águas bem mais incertas. Desta vez, não dá para saber se a situação de intolerância e conflito no mundo vai mesmo descambar para uma guerra planetária. Pode até ser que isso já tenha acontecido, mas que, aqui no calor do momento, nos falte perspectiva para perceber. Difícil ter certeza. Ainda assim, é obrigação da Super apontar a luneta para o horizonte e gritar ao leitor o que há lá. Leitor da Super tem que saber antes das coisas. Leitor da Super tem que saber melhor.
Essa nossa obrigação é uma das que têm guiado esta revista há exatos 19 anos, desde que ela nasceu, em setembro de 1987. Só o que podemos fazer é trabalhar duro para honrar a tradição.