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Superinteressante edição 229
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O que fazer ao encontrar uma tribo hostil

Mario Mele

 

Há 46 registros de tribos isoladas no Brasil. E acredite: se um dia você der de cara com uma delas, a recepção não será das melhores - esteja preparado para ser recebido sob a mira de arco-e-flecha e bordunas. Você será considerado um invasor.

 

1. Você não é Deus.

Apesar de perdidos na selva, índios sabem que não estão sós. Eles não acharão que o coturno e a calça camuflada fazem de você uma entidade divina. A exceção é quem vem de pára-quedas. Como isso escapa ao entendimento deles, você pode ser visto como sobrenatural.

 

2. Agarre um japonês.

A presença de um oriental ou de um negro convivendo em meio a um grupo de brancos pode salvar sua vida. Os índios verão nessa miscigenação pacífica uma informação que demonstra como você convive em harmonia com etnias diferentes e é amigo da diversidade.

 

3. Segure os cachorros.

É provável que você esteja caminhando pelo mato com cachorros, que ajudam a proteger contra o ataque de onças. O problema: muitas tribos jamais encontraram um cão latindo pela frente. Chegar acompanhado do totó pode causar alvoroço.

 

4. Parta para o abraço.

O abraço representa o pleno acolhimento entre os índios. A aproximação dos corpos é um símbolo de segurança – algo que, para eles, um aperto de mãos não representa. Se alguén do grupo der um abraço em um índio e for correspondido, vocês já podem se sentir em casa.

 

5. Mime os índios.

Ofereça insistentemente presentes, como enfeites e ferramentas, e fique atento à movimentação de crianças e também de mulheres. Esses são os grupos mais protegidos. Ou seja, enquanto estiverem escondidos você ainda é considerado uma ameaça pela tribo.

 

6. Solte os rojões.

Um foguete de alerta será útil caso conversas e gestos prudentes tenham ido por água abaixo – e, se você não mirar na testa do índio, o rojão não deve causar danos físicos sérios a ninguém. Ao ouvir os disparos, eles se assustarão. É sua chance de vazar dali.

 

Fontes: Instituto Socioambiental, Museu do Índio, Funai, Edívio Battistelli (Depto de Índios Isolados da Funai-PR), Dominique Tilkin Gallois, Renato Nicolai (pesquisador de línguas indígenas).

 

Há cerca de 180 idiomas e dialetos indígenas no Brasil. Apesar da diversidade, apenas 11 (listados abaixo) possuem mais de 5 mil falantes. Ou seja, este glossário deve ajudá-lo a se virar. Veja o que dizer em cada língua para ser recebido com tapete de urucum vermelho.

 

Guajajara: Irî karaí katu (Homem de bem).

Maué: Uitó uidadera requê herakoá (Sou homem de bem).

Xavante: Aibã da’ubumroi pese’wa (Homem de bem).

Ianomâmi: Hwamapë Kua përa thëpë (Sou visitante).

Terena: Yon momi. Namu noko upori (Viajante cansado. Preciso de ajuda).

Macuxi: Pemonkon morî (Sou homem bom).

Caingangue: Sóg mrému. Vãfor (Sou amigo e estou perdido).

Ticuna: Dyat sauenoene (Homem de bem).

Guarani: Avakwe porã (Homem do bem).

Camaiurá : Te’ijryp (Amigo).

Caritiana: Taso se’a (Homem bom).

 

 

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