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Nós Lá Fora

Quantos brasileiros trabalham para a ONU?

Tania Menai, de Nova York

 

Em todo o sistema da Organização das Nações Unidas trabalham atualmente 98 brasileiros – eram 99 antes da morte de Sérgio Vieira de Mello, no atentado de 19 de agosto em Bagdá. O Brasil, país que participou da fundação da ONU em 1946, ocupa a décima posição em contribuições ao orçamento regular da organização (a primeira entre os países em desenvolvimento). Hoje, o brasileiro mais alto na hierarquia é o embaixador Rubens Ricupero, secretário-geral da UNCTAD, Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento. Ele trabalha ao lado do secretário-geral Kofi Annan – seu cargo, na nomenclatura da ONU, é de secretário-geral adjunto das Nações Unidas. O segundo brasileiro na hierarquia do Secretariado é Luiz Carlos da Costa, antigo amigo. Da Costa tem o maior tempo de serviço na organização entre os brasileiros: 35 anos.

Ele ocupa funções de alto nível executivo no DPKO, Departamento de Operações de Manutenção de Paz das Nações Unidas. Antes disso, foi Diretor-Executivo e de Administração da Missão da ONU em Kosovo, parte da ex-Iugoslávia.

Os brasileiros a serviço da ONU estão espalhados pelo mundo. Em geral, eles ficam em lugares que não são exatamente destinos turísticos, como o Iraque, o Afeganistão, Kosovo e outros países com problemas bastante sérios. Outros trabalham nos escritórios da entidade em Nova York e em Genebra. Suas funções vão de serviços burocráticos à coordenação de programas econômicos, ambientais e serviços de comunicação – a rádio das Nações Unidas possui uma seção de língua portuguesa, chefiada pelo paulista João Lins de Albuquerque.

Para trabalhar na ONU, não é preciso ser diplomata de carreira. Ao assumir seu cargo na organização, o funcionário não deve estar ligado ao governo de seu país de origem. Brasileiros não se envolvem necessariamente com questões que envolvem o Brasil – e costumam evitar esses casos, para tomar decisões imparciais. Para ser aceito na ONU é quase sempre necessário ter educação superior e falar pelo menos uma língua estrangeira – inglês, francês e espanhol são as mais comuns, mas saber dialetos tribais africacanos abre muito mais portas.

 

 

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