Ir para conteúdo | Ir para menu do site | Ir para home do site

Superintrigante

Superinteressante edição 192
Edição anteriorset 2003 Edição posterior
Receba as atualizações da Super em seu RSSRSS
Outras matérias

Para o Alto e Avante!

Como se escala o Everest?

Alexandre Versignassi

 

Subir a montanha mais alta do mundo é mais fácil do que se pode imaginar. Desde 1953, pelo menos 1.300 pessoas já pisaram no cume do Everest, no Nepal. O número é bastante elevado se levarmos em conta, além do perigo da aventura, os custos da operação – de R$ 120 mil a R$ 300 mil. Isso ocorre porque a montanha vem ganhando uma estrutura turística, como se fosse um lugar qualquer para a prática de esportes radicais. Mas o Everest está longe de ser uma DisneyWorld radical. O frio, que pode chegar a 70ºC negativos, e o ar rarefeito continuam lá. Perto do topo, existe só 30% do oxigênio que há no litoral. Isso deixa o corpo em pane: os músculos perdem força, o cérebro não consegue somar dois mais dois e o pulmão corre o perigo de sofrer um edema –encher-se de líquido. Mesmo com esses riscos, sem contar avalanches, o Everest é bem mais acessível agora do que há meio século, quando foi vencido pela primeira vez.

Mais da metade das escaladas foram feitas só nos últimos sete anos. O que mudou? "Hoje há expedições comerciais, que vendem vagas a pessoas inexperientes. Não fossem elas, seria impossível tanta gente ter chegado ao topo", diz o alpinista Waldemar Niclevicz, um dos primeiros brasileiros a alcançar o cume do Everest, em 1995. Essas expedições são uma mão na roda para aventureiros neófitos. Alguns milhares de dólares bastam para que o cidadão tenha uma boa chance de voltar para casa cheio de histórias. O montanhista de primeira viagem pode contar com guias nativos, que conhecem cada buraco da montanha e cuidam do trabalho pesado. Veja um caso. Para aliviar os efeitos da falta de ar, o grosso dos alpinistas carrega quilos de garrafas de oxigênio nas partes mais altas. Obviamente, novatos precisam de mais garrafas que os acostumados a grandes altitudes. E aí entram os carregadores: bem pagos, eles levam oxigênio extra à vontade para seus clientes.

Essa mãozinha pode ser a diferença entre chegar ou não ao cume. Outra coisa que ajuda é a organização do Parque Nacional Sagarmatha, onde fica o Everest: ela cobra para instalar escadas, pontes e cordas nas partes iniciais da escalada. Mas um bolso recheado não basta para uma jornada suave rumo ao topo do Everest: nos últimos dez anos, 58 pessoas pagaram a aventura com a vida.

 

SONO NO INFERNO

Do acampamento 2 para cima, a situação complica de vez. Os menos experientes já começam a usar tanques de oxigênio, e o terreno, com longos trechos inclinados, fica mais desafiador. Para acostumar o corpo aos 7 500 metros do acampamento 3, os alpinistas dormem algumas noites lá, mas não seguidamente. Todo dia eles voltam para o base, já que é impossível relaxar a essa altitude

 

MORTE SÚBITA

Das 175 pessoas que morreram no Everest até o ano passado, cerca de um terço foi vítima de avalanches. Boa parte do restante morreu durante violentas tempestades de neve, que fazem a temperatura cair para menos de 70º C negativos. Uma tormenta que pegue o alpinista longe dos acampamentos costuma ser fatal. Há cerca de 120 corpos na montanha

 

NO TOPO DO MUNDO

A subida final, de 12 horas, acaba por volta do meio-dia. São poucos minutos no pico, para chegar ao acampamento 4 ainda de dia e dormir. Antes da volta à base, há uma escala no 2.

 

ÚLTIMA PARADA

A expedição para montar o acampamento 4 sai da base. São seis horas até o acampamento 2 e mais seis até o 3, com poucas horas de sono depois de cada escalada. Na rota para o 4, quase todos usam máscaras de oxigênio. O último acampamento é feito só para que os alpinistas descansem antes de tentar o cume.

 

CAMINHO PREPARADO

Com o acampamento 1 pronto, os alpinistas abrem caminho até o acampamento 2. Passam algumas semanas no 2 para se acostumarem ao ar ainda mais rarefeito e vão montando o 3. Às vezes, voltam para o conforto do base. Com a rota agora equipada por escadas e cordas, são apenas 6 horas para subir de volta

 

QUARTEL-GENERAL

Acompanhados por guias nativos, os alpinistas passam mais ou menos dez dias no acampamento base para se habituar ao ar rarefeito –com 50% menos oxigênio que ao nível do mar. Então escalam alguns metros, instalam escadas nas fendas do gelo e voltam. Dia após dia, o acampamento 1 é montado

 

COMEÇO TRANQUILO

As expedições chegam ao ponto inicial da escalada de helicóptero ou avião. De lá caminham 75 km até o acampamento base. Nos oito dias de trilha, os alpinistas dormem em pousadas. Iaques levam os equipamentos e a comida. Ao longo do caminho, o corpo começa se acostumar à falta de oxigênio

 

K2

A segunda maior do mundo

Local: Himalaia, entre China, Índia e Paquistão

Altitude: 8 611 m

Conquista: 1954, pelos italianos Achille Compagnoni e Lino Lacedelli

 

Aconcágua

A mais alta do hemisfério ocidental

Local: Cordilheira dos Andes, na Argentina

Altitude: 6 959 m

Conquista: 1897, pelo suíço Matthias Zurbriggen

 

McKinley

A mais alta da América do Norte

Local: Alasca, Estados Unidos

Altitude: 6 194 m

Conquista: 1913, pelos norte-americanos Hudson Stuck e Harry Karstens

 

 

Capa de Super 254 Leia a Super 254
Publicidade
Anuncie
topo
Superinteressante

[1987 - 2008] Editora Abril S.A.

Todos os direitos reservados.