Ir para conteúdo | Ir para menu do site | Ir para home do site

Superinteressante

Superinteressante

Encarte - Prêmio Super Ecologia 2003

Superinteressante edição 190
Edição anteriorjul 2003 Edição posterior
Receba as atualizações da Super em seu RSSRSS
Outras matérias

Fauna Ong

De volta para casa

Os recifes artificiais marinhos são a nova morada do mar. Instalados pelo Instituto Ecoplan, os refúgios de concreto estão atraindo até peixes que, há tempos, não freqüentavam mais o litoral do Paraná

Por Mariana Lacerda, de Guaratuba, PR

 

Em tupi-guarani, Itajara quer dizer o "dono da pedra". No litoral brasileiro, o dono da pedra é mais conhecido por mero. De nome científico Ephinephelus itajara, o mero procura abrigo em locas, cantinhos, buracos em recifes. Ao longo dos anos, a destruição de seu hábitat fez com que o mero perdesse sua morada no oceano. Além disso, por ser motivo de orgulho entre pescadores e mergulhadores que trouxessem um desses à superfície, esse peixe hoje integra a lista dos animais ameaçados de extinção no Brasil e, por isso mesmo, sua captura é proibida por lei.

Quando o mero voltou a freqüentar pontos do litoral do Paraná, o pessoal do Instituto Ecoplan, uma organização não-governamental em Curitiba, teve a certeza de que o projeto Recifes Artificiais Marinhos (RAM), implantado em 1997, estava dando certo. O RAM provou que era possível recuperar a fauna marinha com a criação de abrigos e refúgios artificiais no oceano. Esses refúgios são estruturas grandes e pesadas de concreto, que chegam a pesar 2 toneladas, e são colocados em pontos estratégicos do mar.

Em Guaratuba, no Paraná, funciona a pequena fábrica do RAM, onde são construídas as novas casas para os bichos marítimos. Os 2 mil recifes artificiais foram postos entres as ilhas costeiras de Currais e Itacolomis, a fim de estimular a volta da fauna nativa. O litoral paranaense é naturalmente uma área que atiça a pesca predatória feita pela rede de arrasto. Os bem conservados estuários de Guaratuba e Paranaguá e uma corrente de água fria que vem do Oceano Atlântico Sul fazem com que as áreas no entorno das ilhas sejam particularmente fartas. Por isso, a rica fauna dessas regiões foi, ao longo da história, amplamente capturada.

O local de instalação dos recifes artificiais não foi, portanto, escolhido à toa. "Já estamos impedindo o arrasto nessa área", diz o veterinário Fabiano Brusamolin, coordenador do Instituto Ecoplan. Os novos recifes atraíram pouco a pouco as esponjas. Depois chegaram caranguejos, siris e ostras. Vieram os peixes residentes, como badejos e garoupas e, para felicidade de todos, o mero. Foram criados, então, novos pontos para pesca, enquanto os costões das ilhas Currais e Itacolomis se recuperam. "Os recifes artificiais estão atuando como fixadores da sustentabilidade social do Paraná", afirma Ariel Scheffer, biólogo da Universidade Federal do Paraná que acompanha a formação de ecossistemas em torno dos recifes.

Com o mero de volta, na dança da cadeia alimentar, fica garantido o rendimento da família de gente como Jacir Manoel dos Santos, de 60 anos, dos quais 52 trabalhando no mar. "Em tanto tempo de pesca, já vi os peixes desaparecerem e agora os vejo voltando para essas águas", comemora o pescador. Seja bem-vindo ao lar, mero.

 

 

Capa de Super 265 Leia a Super 265
Publicidade
Anuncie
topo
Superinteressante

[1987 - 2009] Editora Abril S.A.

Todos os direitos reservados.