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Davi, Golias e o Vacilo

Sars: a lição do Vietnã

Eduard Pimenta Jr.

 

A gigante China está em pânico com a pneumonia asiática (veja como a doença age na página 27). Mas um vizinho pobre, o Vietnã, se transformou em exemplo para o mundo ao debelar a doença. Há três razões para o inesperado sucesso vietnamita.

Primeiro: sorte. Um só infectado deu origem a todos os casos no país. O viajante americano John Chen foi vitimado pela doença e transformou-se no marco zero da doença. Quando deu entrada num hospital de Hanói, tinha 39 graus de febre, uma tosse seca e terríveis dores musculares. Seu médico, o italiano Carlo Urbani, viu conexões com a estranha pneumonia registrada em Guangdong, no sul da China, em 1998.

Na hora, Urbani solicitou uma reunião com os oficiais da saúde do Vietnã. Em duas horas e meia de conversa, o vice-ministro da saúde, Nguyen Van Thuong, concordou que a Organização Mundial da Saúde assumisse o caso e prometeu designar uma força-tarefa para atualizar dados sobre a síndrome diariamente. A resposta rápida e franca do Vietnã à ameaça contrastou com a da China, que tentou esconder os problemas. Essa foi a segunda razão do sucesso vietnamita.

Em março, Urbani morreu no hospital enquanto muitos sofriam com a infecção. Mas mesmo os que não tinham sinais da doença permaneceram lá para não contaminar a população. Isso isolou o vírus no momento mais crítico – o terceiro fator a favor do Vietnã. O hospital parou de admitir pacientes e fechou as portas no dia da morte do último interno. Depois, foi descontaminado. A força-tarefa então rastreou todos que tiveram contato com os pacientes. Os casos sempre levavam a Chen. O país tornou-se o primeiro a eliminar a doença. E ensinou ao mundo que, para vencer uma epidemia, pode valer mais transparência e agilidade do que dinheiro e poder.

 

 

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