Ir para conteúdo | Ir para menu do site | Ir para home do site

Superinteressante

Superinteressante

Supercult

Superinteressante edição 189
Edição anteriorjun 2003 Edição posterior
Receba as atualizações da Super em seu RSSRSS
Outras matérias

Imperdível

Um mito no Brasil

Antônio Madalena

 

Índios na periferia de São Paulo nos anos 30! É a esse mote, do diretor da Escola Normal Superior da França, que devemos a vinda de Lévi-Strauss para o Brasil, entre os anos 35 e 38, integrando o grupo de professores franceses que ajudam a criar a USP. Se o período é breve, as experiências são intensas e serão necessários mais 15 anos para que ele redija Tristes Trópicos, que se tornaria um clássico das ciências humanas e da prosa do século XX.

Embora Lévi-Strauss inicie o livro com um contundente "odeio as viagens e os exploradores", Tristes Trópicos fala de viagens e da arte de viajar. Colocando em prática a vocação de antropólogo, suas descrições detalhadas e inusitadas revelam a São Paulo da época, os hábitos de sua burguesia e as aspirações intelectuais dos jovens, no cenário do Anhangabaú, na avenida Paulista e demais ruas e bairros da cidade de então.

Mas sobretudo – e porque sabia que a visão do diretor francês não correspondia aos fatos –, Tristes Trópicos é a narrativa do autor pelo interior de um Brasil quase inacessível em busca dos índios cadivéus, bororos e nhambiquaras. Depois desse encontro as coisas nunca mais foram as mesmas: Lévi-Strauss se tornou um ícone da antropologia, as sociedades indígenas passaram a ser vistas em sua complexidade específica, sem serem reduzidas a graus inferiores numa escala evolucionista, e os mitos, que desde os gregos estavam em baixa, voltaram a ganhar o prestígio de formas elaboradas de pensamento.

 

 

Capa de Super 265 Leia a Super 265
Publicidade
Anuncie
topo
Superinteressante

[1987 - 2009] Editora Abril S.A.

Todos os direitos reservados.