
A reportagem A natureza da fera, sobre os cachorros pit bull, publicada na edição de maio, suscitou enorme interesse. Recebemos inúmeras cartas e emails com críticas, elogios e comentários. Além disso, vários leitores especializados fizeram observações sobre a confusa genealogia do pit bull, tema quase tão polêmico quanto a idéia de esterilizar esses cães. Fomos obrigados a levar adiante a pesquisa e verificamos que, de fato, havia erros na nossa maneira de apresentar a origem da raça. Na página ao lado, publicamos um infográfico que resume aquilo que apuramos. A vigilância de vocês é a melhor garantia de que a qualidade das informações da SUPER vai melhorar sempre.
No mês de maio recebemos:
2 631 e-mails
1 976 telefonemas
682 cartas
Veja abaixo as reportagens mais comentadas, por e-mail e por carta:
A natureza da fera.............. 55
Cabo de guerra.................. 16
Universo? Qual deles?........... 15
Meu gene, meu bem, meu mal...... 14
No mês de maio, 408 leitores responderam à pergunta:
Você é a favor da esterilização de pit bulls e outros cães ferozes?
290 (71%) são contra.
"Não devemos exterminar uma raça em função de criadores que fazem de seu animal uma ‘máquina mortífera’."
Flávia Batista de Araújo Campo Grande, RJ
"A ferocidade desses cães é mais uma invenção do homem e invenções não precisam ser extintas, mas sim melhoradas."
Fernanda Raghiante Uberlândia, MG
118 (29%) são a favor.
"É impossível fiscalizar todos os criadores do país."
Leonardo Vicenzi Curitiba, PR
"Sou a favor da esterilização dupla, cão e proprietário irresponsável."
Sandro Hadyme Várzea do Poço, BA Cocker doente?
Consta na reportagem A natureza da fera que o cocker dourado sofre de uma "doença genética". Quem disse isso? Que dado científico a comprova?
Eduardo Henriques São Paulo, SP A veterinária Hannelore Fuchs, especialista em comportamento animal, comenta: Essa "doença" do Cocker Spaniel de pêlo dourado consiste em um quadro de agressividade ligado à cor, transmitido geneticamente e que aparece em alguns exemplares da raça. O cão morde independente do estímulo desencadeador. Provavelmente, esse traço comportamental é derivado de cruzamentos por motivos estéticos.
Mordida desconhecida Quanto à força da mordida do rottweiler e do pit bull, citada na reportagem A natureza da fera (número 5, ano 13), cientificamente nada foi mensurado até hoje. Se o rottweiler tem 2 toneladas de força da mordida e o pit bull, 200 quilos, o rottweiler é dez vezes mais forte que o pit?
André Bento, médico-veterinário Rio de Janeiro, RJ O professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, Marco Antonio Gioso, especializado em odontologia animal, comenta: "Uma experiência desenvolvida na Universidade de Nantes, França, mediu a força da mordida de cães militares. O melhor resultado foi obtido por um pastor alemão que alcançou 1120 Newtons, ou seja, 112 quilos de força, aproximadamente. Se pensarmos que o pit bull tem físico menor que o pastor alemão, mas, proporcionalmente, tem mais potência na mordida (uma das mais eficientes entre os cães), ele, provavelmente, alcançaria um valor aproximado ou talvez maior que o pastor alemão, quando testado. Já o rotteweiler tem o físico maior que o pastor e, por isso, é mais potente. É possível que numa experiência semelhante, ele alcance resultados iguais ou superiores ao pastor alemão.
O dono é o culpado O texto de A natureza da fera esclareceu o motivo do comportamento dos pit bulls e de outras raças de cães. A culpa da ferocidade deles é, na maioria das vezes, causada por donos irresponsáveis.
Alexandre N. de Lima Rio Largo, AL
Cosmo ilimitado
Quando comecei a ler Universo? Qual deles? (número 5, ano 13) não parei. Imaginava que o Cosmo tinha fim, mas não que existissem outros universos.
Leonardo Rezende Ribeirão Preto, SP
A ciência nos quadrinhos A reportagem Universo? Qual deles? provou que certas revistas em quadrinhos não estão tão longe da realidade quando falam em universos paralelos. Que o diga Flash Gordon!
Francisco Henrique Assis Itabira, MG
Teorias reprovadas Achei sem fundamento as idéias do matemático americano Alan Guth citadas na reportagem Universo? Qual deles? Já não sou muito a favor da teoria do Big Bang e agora aparece um querendo dizer que existe mais de um universo. Ele chega ao cúmulo de adicionar mais um meio ambiente, o tal de falso vácuo.
José Guilherme Marcon Caxias do Sul, RS
Na realidade e na ficção O milho transgênico mostrado em Meu gene, meu bem, meu mal (número 5, ano 13) tem algo semelhante ao filme Colheita Maldita. Por trás das espigas perfeitas pode estar uma grande maldição para a humanidade.
Alexandre Elias dos Santos Belo Horizonte, MG
O destino em poucas mãos As informações da reportagem Meu gene, meu bem, meu mal me trouxeram desconforto. Apesar de ser uma questão que envolve todos nós, só alguns poucos decidirão o que irá para as prateleiras dos supermercados.
Cristiane Reina Soriani Londrina, PR
Os gaúchos não querem Ao ler Meu gene, meu bem, meu mal fiquei sabendo que o Brasil vai produzir vegetais geneticamente modificados e adorei. Só achei um absurdo os gaúchos proibirem a entrada dos transgênicos no Rio Grande do Sul.
Cláudio A. de Matos Diadema, SP
A polêmica no site Os alimentos transgênicos também foram comentados no site da SUPER (www. superinteressante. com.br). Lançamos a pergunta: Se você encontrar no supermercado um produto com rótulo "transgênico", vai comprá-lo? Veja o que os internautas responderam:
Quem vai ser réu? Fiquei perplexo após ler Cabo-de-guerra (número 5, ano 13) e saber do número de vezes que a OTAN errou seus alvos, matando assim centenas de inocentes. O Sr. Slobodan Milosevic será levado a julgamento por crime de guerra. Mas e a OTAN, conduzida pelo poderoso Tio Sam, não será responsabilizada por nada?
Irineu Bernardino São Paulo, SP
O verdadeiro interesse Não faz sentido os países da OTAN gastarem tanto dinheiro em uma província que possui 5 bilhões de dólares em reservas de chumbo, zinco e carvão, como está em Cabo-de-guerra. É óbvio que Kosovo representa interesses militares estratégicos na região. Os albaneses receberão uma província independente mas passarão a vida dependendo dos americanos.
Marco Arroyo Santo André, SP
Transplante polêmico Na edição de maio publicamos carta da leitora Alice Costa, de Juscimeira (MT) comentando o transplante de mão da reportagem Como uma luva (número 3, ano 13). Ela não aprovou a técnica, mas teve gente que não gostou do seu comentário: A leitora Alice Costa se indignou com o transplante. Imagine se ela fosse vítima de um tubarão e tivesse suas mãos decepadas. Será que continuaria ‘enojada’ como disse?
Erwin Von-Rommel Belém, PA
A codorna não choca Na seção Superintrigante de maio, vocês utilizaram a foto de uma codorna como exemplo de ave que choca ovos. Só que ela não faz isso. Em minha criação eu utilizava chocadeiras, galinhas e até pombos para realizar essa tarefa.
Vitor Hugo Muller Porto Alegre, RS O biólogo Luiz Francisco Sanfilipo, da Fundação Zoólogico de São Paulo, comenta: "Realmente a codorna conhecida no Brasil, domesticada há pelo menos 200 anos, perdeu a característica de incubar ovos. Entretanto, por meio de seleção genética adquiriu a capacidade de botar todos os dias. Por isso não é interessante fazê-la passar 18 dias chocando e, assim, parar de produzir. Já as codornas selvagens, que não temos no país, não passaram por essas modificações. Essas ainda chocam."
Lembranças bem-vindas Agradeço à SUPER e aos historiadores pelo apoio à recuperação do Arquivo Nacional, mostrado em O Brasil sai da gaveta (número 5, ano 13). Sem dúvida, ele é uma fonte magnífica de conhecimento neste país tão sem memória.
Eduardo de Almeida Rocha Bonsucesso, RJ
Confirmação documentada A reportagem O Brasil sai da gaveta confirmou uma das conclusões de minha tese de mestrado sobre casamento de escravos, apresentada no Departamento de História da Universidade de São Paulo. O matrimônio de índios aparece mais como escravização ilegítima do que como sacramento.
Eliana Goldschmidt São Paulo, SPCorrente Na página 24 (número 5, ano 13) foi dito que a corrente de água quente que sai do Índico vai até quase o Alasca. O correto é até o Canadá. Pressão No infográfico da página 18 (número 6, ano 13) está escrito que numa profundidade de 1 500 metros a pressão equivale a 501 atmosferas. Na verdade, é 151. llullaillaco Na notícia da página 12 (número 5, ano 13) está escrito que as múmias foram encontradas no Monte Llullaillaco, nos Andes, a mais de 7 000 metros de altitude. O certo é acima de 6 000, já que o monte tem 6 723 metros de altura. Site O site citado na página 55 (número 5, ano 13) está incorreto. O certo é www.sbpcnet.org.br/forum8 /forum8.htm
Antigo buldogue inglês Bem diferentes dos modernos, como se vê acima, eram cães usados em lutas contra touros até meados do século XIX. Hoje ele está extinto. Terriers de rinha Cachorros, hoje extintos, menores que o buldogue. Usados na arena para perseguir ratos e texugos. Staffordshire bull terrier Resultado do cruzamento do antigo buldogue com terriers de rinha. Foram levados para os Estados Unidos após a proibição das lutas na Inglaterra. Antigo buldogue inglês Sem as rinhas, o velho buldogue acabou indo para a América também. Lá cruzou com o staffordshire, que já era seu descendente. American pit bull terrier Surgiu do cruzamento entre o staffordshire e o buldogue antigo. Muito usada nas rinhas, a raça foi se depurando e adquirindo características de força e resistência.
Greyhound É um parente muito antigo e distante do pit bull. Entrou apenas na receita dos antigos terriers. Bull Terrier Primo. Resultado do cruzamento entre os antigos buldogues e o old english white terrier, hoje extinto. American stafford-shire terrier Irmão nobre. Quando as rinhas foram proibidas nos EUA, alguns criadores resolveram desenvolver um pit bull mais manso e bonito.