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Paleontologia

O enigma do dedo desaparecido

Marcas na lama seca mostram que dinossauros da Groenlândia andavam de um jeito muito parecido com as aves atuais.

As trilhas fossilizadas, de 210 milhões de anos, achadas na Groenlândia há alguns meses guardavam um segredo. Se, como se acreditava, elas pertenciam a terópodes — dinossauros carnívoros e bípedes —, por que as pegadas mais rasas não mostravam o quarto dedo, chamado hálux, que deveria existir na parte posterior da pata? O mais estranho é que nas marcas profundas, feitas na lama mole, parecia haver um hálux entrando, mas não saindo do barro. O time chefiado por Stephen Gatesy, da Universidade Brown, em Rhode Island, resolveu o enigma: achou o dedo perdido e, ainda por cima, confirmou que os terópodes tinham um andar parecido com o das aves atuais. Analisando em computador o molde das trilhas mais profundas, Gatesy descobriu o caminho percorrido pelos dedos dentro do barro. Surpresa: os terópodes encolhiam o hálux ao retirar a pata do chão, feito os perus (veja os quadros ao lado). Daí o hálux desaparecia das pegadas. "Apesar de não ser nosso objetivo principal, o trabalho reforça a relação entre terópodes e aves", disse Gatesy à SUPER. "Essa é a primeira evidência tão clara desse tipo de movimento entre os terópodes", avalia Fernando Novas, do Museu Argentino de Ciências Naturais, em Buenos Aires.

Ao iniciar a passada, a primeira parte da pata a entrar no barro eram os dedos da frente.

 

O quarto dedo, chamado hálux, entra mais tarde e é arrastado perpendicularmente à terra.

 

O tornozelo deixa um rastro arredondado no chão. O hálux é puxado para perto dos outros dedos, dentro da lama

 

Ao levantar a pata, o hálux está encolhido junto com os outros dedos. Por isso não aparece ao sair do barro

1. Por que, nas pegadas rasas, não aparecia o quarto dedo que o terópode deveria ter na parte posterior da pata?

 

2. E por que, nas marcas mais fundas, feitas na lama mole, o quarto dedo aparecia entrando e não saindo do barro?

 

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