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Superinteressante edição 141
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Um jeito novo de fazer planetas

Eles podem nascer dos restos de uma estrela destruída por uma vizinha superbrilhante.

Por João Steiner

Uma das maiores surpresas recentes da Astronomia foi a descoberta, em 1995, de um planeta girando em torno de um pulsar, um astro bem diferente do Sol e da maior parte das estrelas da Galáxia. O motivo do espanto é que os pulsares nascem depois que uma estrela imensa explode e joga a maior parte de sua massa para o espaço. Sobra apenas o caroço estelar que, durante a detonação, é espremido até se tornar terrivelmente denso. Isso é o pulsar. Para se ter uma idéia, ele concentra massa equivalente à do Sol dentro de uma esfera de 10 quilômetros de raio. Isso apesar de o volume do Sol ser 300 trilhões de vezes maior que o da esfera. Acredita-se que esse objeto exótico, ao dar voltas em torno de si mesmo, às vezes num ritmo de 1 000 rodopios por segundo, emite pulsos de radiação. Daí seu nome.

O nascimento explosivo desse tipo de corpo celeste parecia excluir qualquer possibilidade de haver um planeta à sua volta. A base dessa suposição era a teoria da origem do nosso Sistema Solar. De acordo com ela, a matéria-prima usada na criação do Sol e de seus planetas foi uma imensa nuvem de gás e poeira cósmica que se contraiu sob a atração de sua própria força gravitacional. Aos poucos, a maior parte da massa concentrou-se no coração da nuvem, onde surgiu o Sol. O resto da matéria-prima, girando em volta do centro, agregou-se em esferas menores — eram os planetas, seus satélites, asteróides e cometas.

 

Provavelmente foi assim também que surgiram diversos outros sistemas planetários que, nos últimos anos, vêm sendo encontrados pelos astrônomos em torno de estrelas próximas da Terra. Mas o mundo detectado junto ao pulsar em 1995 não pode ter sido formado dessa maneira porque, se ele já existisse antes da explosão, ela certamente o reduziria a pó. Os astrofísicos, então, foram obrigados a pensar num outro mecanismo. O que eles dizem é que a história, nesse caso, teria um enredo bem mais animado. Tudo indica que ela começa com dois astros girando à volta um do outro. Em dado instante, o maior deles fica sem combustível para continuar brilhando, explode e se transforma num pulsar. Começa, aí, a segunda etapa do processo, pois a enorme densidade do pulsar lhe dá uma gravidade concentrada. Com isso, ele passa a arrancar grandes porções de gás da outra estrela e a engolir esse material, ganhando combustível extra para queimar e emitir maior quantidade de energia. Essa toma a forma de raios X, um tipo de radiação tão forte que, em grande quantidade, pode atingir a estrela vizinha e destruí-la totalmente. É precisamente o que acontece nesse caso.

Os restos estelares que sobram são varridos para longe , mas podem voltar a se agregar em torno do pulsar, formando planetas. São mundos inóspitos, esturricados pelo brilho letal de seu estranho sol. A descoberta de que eles podem existir sugere que o número de sistemas planetários na Galáxia deve ser grande, pois podem nascer de uma maneira que nem imaginávamos possível, uns poucos anos atrás.

Professor de Astrofísica do Instituto Astronômico e Geofísico da USP

 

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