
De Olho no Céu
Pesquisadores do Telescópio Espacial Hubble anunciaram duas novidades sobre o sétimo planeta do Sistema Solar. A primeira é que os anéis em torno do equador de Urano não giram de um jeito muito firme. Balançam um pouco para cima e para baixo, feito um bambolê que perde a velocidade. A descoberta foi feita por Erich Karkoschka, da equipe do Hubble. Para ele, a dança bêbada pode ser explicada pela força gravitacional das dezessete luas do planeta. Elas fariam os anéis oscilar ao puxá-los em várias direções diferentes ao mesmo tempo. A segunda nova é que, pela primeira vez, está dando para ver o que acontece quando amanhece numa certa região do planeta. Só para você se lembrar, Urano não gira como os demais planetas, com o equador voltado para o Sol. Ele fica eternamente deitado. Assim, os pólos norte e sul ficam boa parte do tempo de frente para a luz (veja abaixo). Como o ano uraniano é 84 vezes mais longo que o terrestre, cada dia e cada noite nos pólos se estende por 42 anos dos nossos. Ainda mais curioso, as estações por lá duram menos que os dias: cerca de 20 anos. Agora o hemisfério norte começa a sair do longo período de sombra. É primavera ali. Um espetáculo que o Hubble registrou. À medida que o Sol vai aquecendo a atmosfera, composta de hidrogênio, hélio e metano, bolhas de gás vão subindo até se condensar em nuvens coloridas.
As manchas rosadas na beira do planeta são nuvens de cristais de metano criadas pelo Sol, que começa a ultrapassar a linha do equador e ilumina o hemisfério norte. É a primavera chegando.
1. Em 1965, o equador de Urano recebia o Sol de chapa.
2. Em 1985, o pólo sul se voltou para o Sol. O pólo norte estava no escuro.
3. Em 2007, o Sol baterá a pino sobre o equador de novo.
4. Passadas mais duas décadas, será a vez de o pólo norte entrar no verão.