

Pouco.
Traços de personalidade dependem de diversos fatores e são dificilmente previsíveis. Por isso, estudantes de um colégio militar não se tornam necessariamente adultos metódicos, e os de um colégio liberal não ficam mais criativos.
Também não há comprovação científica de que impor limites rígidos previne que o filho seja um adolescente infrator. Dizer que o estilo de educação importa pouco na personalidade deve fazer psicopedagogos e professores estremecer. Mas a afirmação pelo menos livra os pais de tanta culpa e responsabilidade pelo destino dos filhos.
Notícias de adolescentes de classe média que ateiam fogo a mendigos ou espancam empregadas costumam ver acompanhadas de críticas ao pais. A idéia por trás dessa opinião é que os pais são responsáveis pela personalidade e por todos os atos dos descendentes.
Os primeiros estudiosos a culpar os pais pela educação dos filhos foram os psicólogos behavioristas. Eles adaptaram as idéias de Freud sobre o papel dos pais e criaram sistemas de educação baseados em estímulos e respostas. O psicólogo John Watson, famoso no começo do século 20, chegou a dizer que conseguiria fazer de qualquer criança um médico ou artista de sucesso se pudesse aplicar na cobaia um sistema contínuo de estímulos e respostas.
De pensadores como Watson, veio a idéia, comum hoje em dia, de que uma personalidade bem formada é resultado de uma educação de recompensas e punições. Essa idéia embala centenas de livros com fórmulas mágicas para transformar crianças em adultos simpáticos, bonitos, bem-sucedidos e livres das drogas. E resulta em pais que se sentem despreparados para criar filhos bem formados.
Mas não é preciso ser perfeito para ter filhos, sobretudo porque, como você viu, os pais não determinam o destino das crianças e a influência deles é imprevisível.
Muitos dos adolescentes que engravidam cedo, se afundam em drogas ou espancam empregadas receberam a mesma educação de jovens que andam na linha às vezes, os próprios irmãos.
Casos assim mostram que seres humanos não são robôs que podem ser programados pelos pais ou por pedagogos. É importante, porém, não confundir pouca influência com nenhuma influência. Muitos pais hoje em dia acham que devem agir como amigos. Mas a autoridade e a hierarquia precisa existir, para que se transmita o que é certo ou errado, diz Eloísa Lacerda, da PUC-SP.
Também é bom que os pais fiquem atentos ao relacionamento do filho com os amigos se ele for sempre a vítima do grupo, sempre humilhado pelos colegas, talvez seja o caso de trocar de escola ou incentivá-lo a se relacionar com outras crianças. Ao morar num bairro e não em outro, os pais podem aumentar ou diminuir o risco de que os filhos venham a cometer crimes, sejam expulsos da escola, usem drogas ou engravidem, afirma Judith Harris em Diga-me com Quem Anda...
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