Fauna doméstica

O Homo sapiens e seus cães e gatos não passam de coadjuvantes na biodiversidade das metrópoles. Conheça melhor algumas espécies que gostam de dividir seu teto (e seu quintal) com você

por Texto Nina Weingrill

LAGARTIXA

Fica dentro e fora das casas – e é uma mão na roda, já que come insetos daninhos, como as traças. Passa o dia escondida em frestas, para fugir do calor. Sua habilidade de alpinista vem de pêlos microscópicos em forma de gancho, que funcionam com um supervelcro.

MOSCA

A vida da mosca doméstica é curta, entre 10 e 25 dias, mas prolífica: põe 120 ovos de cada vez e faze isso até 6 vezes a cada geração. Nesse meio- tempo, prefere se reproduzir onde há matéria orgânica em decomposição – como no cocô de cachorro – para as larvas se esbaldarem de comida.

CARRAPATO

Instala-se perto da orelha dos cachorros, onde é mais fácil sugar o sangue dele. Quando precisa trocar sua carapaça para crescer, se desprende do cão e pula para a grama. Já com o revestimento refeito, volta a pegar caronano cachorro e o ciclo continua.

ABELHA

Ela só vai para a cidade quando falta alimento em seu habitat natural. Procura tudo que contenha açúcar, como doces e refrigerantes. Com a língua, recolhe a substância e guarda numa bolsa na garganta. Depois volta à colméia e armazena o alimento, que se transforma em mel.

CUPIM

Entra em casa na forma de siriri – na fase reprodutiva, quando ganham asas. Depois que as perde, vai morar nas frestas dos móveis, costurando galerias na madeira. Dá para detectar a presença deles pelo pó de madeira que aparece no chão – não são restos do móvel, mas fezes de cupim.

PULGA

A vida desta chupadora de sangue começa quando a fêmea deposita seus ovos no cão ou no gato. Aqueles que estiverem fixos no pêlo do bicho têm mais chances de vida. A bichinha, de 3 mm, pode saltar a até 30 cm para trocar de hospedeiro – é como se você pulasse 200 metros.

PERNILONGO

O inseto atormenta a vida de quem mora perto de rios. É que as fêmeas põem seus ovos sempre na água. Além do ambiente líquido, o lixo depositado nos rios serve de alimento para as larvas. Adulto, o inseto ganha asas e faz vôos noturnos para sugar nosso sangue.

FORMIGA

Sempre que sua cozinha estiver infestada de formigas, procure atacar diretamente seu ninho, entre a argamassa e os azulejos da área atingida. É lá que a formiga fantasma, a mais comum nas pias, faz suas galerias. Ela não tem predadores nas cidades.

ÁCARO

O habitante mais ilustre da poeira doméstica tem entre 0,2 e 0,5 mm. Ele fica a postos para comer escamas de pele humana – não parece, mas trocamos de pele o tempo todo, como cobras. Os ácaros mortos dispersam-se no pó e podem causar alergias.

BARATA PAULISTINHA

Há 200 baratas por habitante em cidades como São Paulo. A mais comum é a paulistinha, de até 2 cm, que vive em lugares quentes e úmidos, especialmente atrás da geladeira. Vive 9 meses e põe ovos 5 vezes nesse período. Até 50 de cada vez. E quando morre vira comida das companheiras.

 

Os donos da noite

Você não gosta da maior parte deles. Eles detestam você. Costumam morar fora das nossas casas e aproveitam as horas mais tranqüilas para tomar conta das ruas, parques e terrenos baldios.

MORCEGO

O morcego nectívoro bebe o néctar das plantas patas-de-vaca, que existem em jardins da arborização urbana. Outro tipo, o morcego insetívoro, habita o forro das casas e se alimenta de insetos atraídos pela iluminação urbana.

CORUJA

Duas espécies dominam os parques: a coruja-orelhuda e a buraqueira. A primeira vive em edificações urbanas e se alimenta de roedores e lagartos. A fêmea deposita seus ovos no solo, com até dois filhotes por ninhada. A segunda faz buracos para desovar de 7 a 9 ovos por vez.

CORUJA

Duas espécies dominam os parques: a coruja-orelhuda e a buraqueira. A primeira vive em edificações urbanas e se alimenta de roedores e lagartos. A fêmea deposita seus ovos no solo, com até dois filhotes por ninhada. A segunda faz buracos para desovar de 7 a 9 ovos por vez.

GAMBÁ

Vive em árvores e forros de casas, saindo para caçar à noite. É um bicho eficiente, que se reproduz rápido (gestação dura 70 dias, com ninhadas de até 8 filhotes) e come de tudo: ovos de ninhos, frutas, vermes, insetos. O problema é que eles transmitem a doença de Chagas.

ARANHA-ARMADEIRA

É um aracnídeo solitário e que não faz teias. Saem à noite para caçar insetos. Seu nome veio da estratégia de armar o bote antes de pegar a presa. Dificilmente ataca as pessoas, mas seu veneno pode necrosar o tecido atingido, provocar a falência dos rins e, em alguns casos, levar à morte.

COBRA

A cobra dormideira é inofensiva. Por isso mesmo pessoas têm comprado a espécie quando filhote. Algumas acabam soltas em terrenos, depois de ficarem grandes e incômodas. Assim a incidência delas tem aumentado. Cascavéis, jararacas e falsas-corais também dão as caras, para comer ratos.

RATO DE FORRO

Mora em lugares altos, como forros de casas. E desce à noite em busca de alimento. Poderia chamar “rato lagartixa”, já que pode subir em galhos de árvores e paredões sem dificuldade. É o grande responsável pelos curtos- circuitos que acontecem em prédios e casas, já que rói fios elétricos.

RATAZANA

Esta comedora de lixo é a espécie de roedor mais favorecida pelo ambiente urbano. Principalmente pelo menos agradável: vive feliz em quaquer lugar sem uma infra-estrutura decente de habitação e saneamento, com esgotos a céu aberto, perto de riachos ou represas.

BARATA VOADORA

Tem até 4 cm e costuma morar fora das casas – em esgotos e caixas de fiação. Vive de 2 a 3 anos e um único casal pode gerar 400 filhos. Ela pode voar grandes distâncias, mas costuma usar as asas só para planar mesmo. E só será vista de dia se seu abrigo estiver superlotado.

Fontes Clélio Gilberto Vidigal, apicultor e presidente da Cooperativa Nacional de Apicultura (Conap); Sérgio Bocalini, diretor da Associação Paulista dos Controladores de Pragas Urbanas (Aprag); Anelisa Magalhães, bióloga do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave); Eleonore Setz, biomédica especialista em ecologia da Unicamp; Centro de Estudos Ornitológicos (CEO); Eliana Reiko Matushima, veterinária da USP; Tânia Raso Freitas, veterinária da Unesp; Irene Knysak e Giuseppe Puorto, biólogos e pesquisadores do Instituto Butantan; Angelo Pires do Prado, veterinário da Unicamp; Fernando Ferreira, especialista em epidemiologia animal da USP.

 

publicidade

anuncie

Você está na área: Mundo Animal

Super 272 - A Verdade sobre a Força da Maçonaria Eles ainda são poderosos. Conheça a real influência dos maçons. Assine a Super

Superinteressante ed. 272
dezembro/2009

A Verdade sobre a Força da Maçonaria
Eles ainda são poderosos. Conheça a real influência dos maçons.

- sumário da edição 272
- folheie a Superinteressante

publicidade

anuncie