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No Sufoco - Abril Pequim 2008
Sim, e muito. Tudo por causa de gases tóxicos como ozônio, monóxido e dióxido de carbono (CO e CO2), que diminuem sensivelmente a capacidade de oxigenação do organismo (veja o infográfico ao lado). Mas não vale qualquer poluição. Em São Paulo, por exemplo, a 3a cidade mais poluída da América Latina, os atletas conseguem praticar seus esportes sem grandes dramas. Já em Pequim, sede da Olimpíada que começa em agosto, a história é outra. A poluição de lá, que é 3 vezes maior que a da capital paulista, fez atletas como Haile Gebreselassie, recordista mundial de maratona, pedir arrego. Ele, que sofre de asma, desistiu de participar da prova com receio de passar mal e ter seu desempenho prejudicado.
Apesar do investimento de mais de US$ 17 bilhões do governo chinês no controle da poluição, o Comitê Olímpico Internacional admitiu que, por causa da contaminação do ar, nesta edição dos Jogos não se esperam novos recordes ao ar livre.
Respire fundo
Um atleta respira 20 vezes mais ar que uma pessoa comum. Em uma cidade como Pequim, isso significa inspirar 4 vezes mais CO, CO2, ozônio e poeira do que o corpo tolera.
Ninguém entra
Quando chega aos pulmões, o CO2 em alta concentração atrapalha o trabalho das hemácias, células responsáveis por levar oxigênio ao organismo. Para compensar, o pulmão aumenta o ritmo de funcionamento.
Sem lugar
O CO é ainda mais cruel: ele rouba o lugar do oxigênio nas hemácias. Pouco oxigenados, os músculos perdem força e podem sofrer com cãibras. A falta de oxigênio no cérebro causa tonturas e, em casos extremos, leva ao coma.
Empoeirado
As micropartículas de sujeira grudam nos cantos dos pulmões, causando irritação, tosse crônica e inflamações. Algumas vão para a corrente sanguínea e, a longo prazo, acabam endurecendo as paredes dos vasos.
Caminho estreito
Na corrente sanguínea, o ozônio converte colesterol em placas de gordura, que grudam nos vasos, diminuindo sua flexibilidade. Para continuar bombeando sangue, o coração tem que trabalhar sob alta pressão. Isso eleva o risco de hemorragias e infarto.