O antigo Second Life Blog virou este Próxima Fase. O jornalista Pedro Burgos, colaborador da revista e viciado em joguinhos, conta aqui as polêmicas, os lançamentos e os assuntos mais fervidos do mundo dos games
Há alguns dias eu finalmente terminei o GTA IV. E apesar de gastar algumas horas nele, não foi esse exatamente o motivo do meu sumiço. Há muito tempo não gastava tantas horas em um jogo, e realmente ele merece todas elas. É o jogo do ano passado e um dos melhores da história. Há mil lugares onde você pode ler o porquê. Mas o ponto filosófico de hoje, para mim, é outro. GTA mostra o quanto o gamedesign ocidental evoluiu e o quanto o japonês está travado.
GTA e a liberdade absoluta, Fable e os dilemas morais, Bioshock e a narrativa intricada, Braid e a direção de arte aplicada a puzzles, Call of Duty e a comunidade multiplayer de shooter (gênero que nem existe no Japão), Little Big Planet e o gamedesign 2.0, Guitar Hero, que pegou a idéia japonesa de guitar freaks e acrescentou o que importa: músicas boas... Isso para ficar em coisas recentes. Veja a lista dos 30 melhores jogos para PS3 no Metacritic: 26 não foram feitos no Japão. E isso porque a Sony é japonesa.
Por que isso acontece? Não é o caso de faltar dinheiro para desenvolvimento. Os japoneses têm um gosto bem peculiar para jogos, às vezes bizarro para os paladares ocidentais, vide o sucesso de Monster Hunter Portable, que eu falei aqui, ou o recente e bizarríssimo caso do game que promove o estupro e pedofilia (ok, esse é sucesso aqui: virou um hit nos camelôs da Sta Ifigênia). Será que nós crescemos e adoramos os jogos japoneses antigamente por falta de opções mais adequados à nossa cultura? Imagine se a Nintendo e os consoles dominantes tivessem sido criados nos EUA, Inglaterra e França, desde o princípio. Teríamos um encanador italiano e um porco-espinho reinando absolutos por uma década? Acho um exercício filosófico interessante.
