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O antigo Second Life Blog virou este Próxima Fase. O jornalista Pedro Burgos, colaborador da revista e viciado em joguinhos, conta aqui as polêmicas, os lançamentos e os assuntos mais fervidos do mundo dos games

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    Fim de jogo, 2 anos depois

    06 Abr 2009 00:05

    Eu comecei a escrever pra Super em 2004. Halo 2, meu jogo favorito então, estava quebrando recordes, havia faturado mais na estréia que qualquer grande filme. Era um momento histórico para o videogame como "grande mídia". Achei que valia uma notinha. "Ei, Denis (Russo Burgierman), acho que isso vale uma matéria, não?" Denis topou, eu escrevi, e o Sergio Gwercman, então recém-editor e hoje editor-chefe, editou. Pra mim, era bem sonho de jovem jornalista - escrever sobre o hobby favorito na revista predileta. Nos anos seguintes escrevi sobre um monte de coisas relacionadas, da revolução do Wii às músicas mais difíceis de Guitar Hero e Rock Band, que deve sair na próxima edição. No meio do caminho fui convidado a escrever um blog sobre a cultura do entretenimento virtual, que começou com a investigação do então ultra-hypado Second Life e passou por um sem-número de coisas nesses mais de 2 anos.

    Essa recapitulação meio brega é preâmbulo para dizer que hoje, oficialmente e com bastante pesar, estou desligando o jogo. Os videogames continuam legais, as notícias são cada vez mais empolgantes, a minha pequena mas fiel platéia sempre traz comentários bacanas. Mas, honestamente, não estou encontrando tempo para escrever sobre o meu hobby favorito, da maneira que eu gosto e me acostumei. Poderia gastar uns 15 minutos por dia para mostrar o trailer e falar sobre o novo lançamento e dizer "olha, esse jogo vai ser fera" ou algo assim.  Mas a idéia aqui sempre foi tentar levantar algumas discussões, refletir sobre um assunto que nos diverte mas eu acho que é sério, é forma de arte, e rende boas polêmicas.

    A Super me deu a oportunidade e liberdade de ficar viajando sobre grandes questões de videogames. E eu agradeço muito à Super e a vocês. Na prática, a Próxima Fase para mim começou há 1 mês, quando virei editor-chefe do Gizmodo, blog de tecnologia com pinceladas em games que cuido como pai-coruja. Vejo vocês por lá e nas páginas da Super, se tudo der certo. Obrigado pela preferência e, como dizem por aí, GAME ON. =)

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    Japoneses não sabem fazer jogos como antigamente

    26 Mar 2009 01:15

    Há alguns dias eu finalmente terminei o GTA IV. E apesar de gastar algumas horas nele, não foi esse exatamente o motivo do meu sumiço. Há muito tempo não gastava tantas horas em um jogo, e realmente ele merece todas elas. É o jogo do ano passado e um dos melhores da história. Há mil lugares onde você pode ler o porquê. Mas o ponto filosófico de hoje, para mim, é outro. GTA mostra o quanto o gamedesign ocidental evoluiu e o quanto o japonês está travado.


    GTA e a liberdade absoluta, Fable e os dilemas morais, Bioshock e a narrativa intricada, Braid e a direção de arte aplicada a puzzles, Call of Duty e a comunidade multiplayer de shooter (gênero que nem existe no Japão), Little Big Planet e o gamedesign 2.0, Guitar Hero, que pegou a idéia japonesa de guitar freaks e acrescentou o que importa: músicas boas... Isso para ficar em coisas recentes. Veja a lista dos 30 melhores jogos para PS3 no Metacritic: 26 não foram feitos no Japão. E isso porque a Sony é japonesa.


    Por que isso acontece? Não é o caso de faltar dinheiro para desenvolvimento. Os japoneses têm um gosto bem peculiar para jogos, às vezes bizarro para os paladares ocidentais, vide o sucesso de Monster Hunter Portable, que eu falei aqui, ou o recente e bizarríssimo caso do game que promove o estupro e pedofilia (ok, esse é sucesso aqui: virou um hit nos camelôs da Sta Ifigênia). Será que nós crescemos e adoramos os jogos japoneses antigamente por falta de opções mais adequados à nossa cultura? Imagine se a Nintendo e os consoles dominantes tivessem sido criados nos EUA, Inglaterra e França, desde o princípio. Teríamos um encanador italiano e um porco-espinho reinando absolutos por uma década? Acho um exercício filosófico interessante.

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    Guitar Hero não tem Beatles, vai de Van Halen

    10 Mar 2009 01:54

    Ao que fontes confiáveis indicam, Guitar Hero, série-fábrica de dinheiro da Activision, terá 8 (sim, OITO) novos jogos em 2009. Hard Rock Van Halen (agosto), Guitar Hero 5 (nome provisório - setembro), DJ Hero (outubro) e Band Hero (novembro). Além disso, há o Guitar Hero: Modern Hits, Guitar Hero: Metallica e o Guitar Hero: Greatest hits (com músicas já lançadas só para guitarra, agora com suporte à banda), além de um novo título para Nintendo DS. Será que o povo vai cansar? Eu adoro jogos de música, mas é muita coisa pro meu gosto. E enquanto isso, a Warner Music está boicotando as duas séries (Rock Band e Guitar Hero) porque quer mais dinheiro dos royalties. É verdade que as produtoras de games pagam mixaria para terem as músicas, mas a gravadora precisa ver também que aparecer no jogo faz os álbuns (físicos ou virtuais) venderem mais.


    Ah, sim, sobre o Rock Band dos Beatles. São realmente bem legais os instrumentos novos. Espero que eles funcionem bem mecanicamente falando. A guitarra do Rock Band é bonitinha, tem um “palhetar” mais bacana, mas estraga fácil. Desisti delas e fiquei com as de Guitar Hero, mais confiáveis. E sim, como eu escrevi quando anunciaram um jogo de ritmo dos Beatles, aposto que o lance vai ser um sucesso, mas vai ser chato. Boas músicas não significam boas músicas de jogar. Haja vista o sucesso de Through the Fire and Flames, do Dragon Force: um porre de ouvir, divertidíssima para os dedos. Da mesma forma, músicas legais de bandas como Nirvana, Pixies ou Ramones são horríveis de jogar, porque a base se mantém, não há solos ou riffs mais trabalhados na guitarra. Ok, Beatles têm algumas linhas mais intricadas em Revolver ou Sgt. Pepper. Mas a bateria é aquela coisa, os vocais só esquema "sing along", nada parecido com a divertida Painkiller, do Judas Priest. Isso não tem nada a ver com a “qualidade” da música, mas sim com a diversão de jogar o negócio. Não suporto Rush, mas acho as músicas deles ótimas no Rock Band. Tenho amigos que só se importam com isso – músicas legais de tocar. E me parece que as faixas dos Beatles não têm tanto potencial de jogo. Eu honestamente espero estar errado. E, na real, vou comprar o jogo de qualquer jeito, só pro povo que fala “ah, não tem Beatles?” parar de encher o saco. =)

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    A Microsoft agiu certo ao banir lésbica?

    04 Mar 2009 11:14

    A polêmica é na verdade da semana passada, mas como eu vi muita coisa sendo escrita na afobação e sensacionalismo, acho que vale falar. O caso: a Microsoft baniu uma usuária da rede Xbox Live porque o nome dela (o Gamertag – o cartão de visitas de fato) indicava que ela era lésbica. Não se sabe exatamente qual era, mas havia essa sugestão. As pessoas ficaram revoltadas. E, a princípio, parece que a Microsoft está errada, é preconceituosa. Mas eu tendo a defender a atitude.
    Na prática, como numa política pública que dá multa para quem não usa cinto de segurança (a pessoa poderia ter o direito de morrer, talvez?), o Estado (ou a Microsoft, no caso) protege o cidadão dele mesmo.


    Quem já jogou online (na Live ou qualquer lugar) sabe que o nível de homofobia é elevado. Qualquer coisa errada que você faça é “gay”. Se sua voz não for como a do Schwarzenegger, é “gay”. E, se você for gay de fato, tudo que você faz de errado no jogo é porque, oras, você é gay. Essa é a lógica da molecada, no Brasil ou EUA, e aparentemente é mais exacerbada em jogos online. Esse vídeo aqui embaixo deixa isso claro (AVISO: Linguagem excessivamente agressiva - se não conseguir visualizar, clique aqui):


    Halo 3: Homophobia Evolved (NSFW) - The funniest movie is here. Find it


    O cara aí de cima tinha o nick “gayboy”. Infelizmente, esse é um convite às pessoas mais agressivas. Fato. Se ele quiser não ser mais insultado, tem duas opções – dar o “mute” nos outros jogadores (há essa opção) ou simplesmente não jogar. O pior é que o povo que gosta de atacar os gays vai fazê-lo e ainda por cima reclamar do cara, há uma ferramenta para isso. Se X reclamações sobre um perfil chegarem aos servidores da MS, ela pode suspender a conta, gay ou não. E, especificamente no caso dos gays, há uma questão legal. Nos próprios termos de contrato de assinatura da Live, a pessoa é avisada que não pode ter nenhuma referência sexual no nick. Preferência sexual é sinônimo de palavrão? Ao que parece, sim.


    Se a pessoa quiser mostrar a opção sexual dela, por orgulho, ideologia, ou simplesmente dado pessoal extra, além da cidade que mora, deveria haver algo como um ícone, um box, algo um pouco mais elegante – todas as redes sociais têm isso, porque não a Xbox Live? A Microsoft é culpada por todos os idiotas que habitam a rede deles? Ela poderia fazer algo mais prático para evitar que idiotas continuem sendo idiotas? Ela tem o direito de suspender alguém para não “insultar” seus usuários com algo que tem orgulho? Nesse bizarro mundo ultratestosteronizado da jogatina online, talvez. O que vocês acham?

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    Qual o melhor videogame? A resposta completa e definitiva

    27 Fev 2009 19:12

    Por que o PlayStation 3 é uma melhor compra que o Xbox 360
    1. Ele é um excelente tocador de Blu-Ray
    2. Ele tem Wi-fi de fábrica (o adaptador wireless oficial da Microsoft custa 100 dólares)
    3. Os exclusivos são melhores (Little Big Planet, Metal Gear Solid, God of War 3, Killzone 2, Gran Turismo)
    4. A rede (PSN) é gratuita.
    5. O hardware é mais confiável.
    6. Tem navegador de internet e integração mais fácil com o computador
    7. Tem mais espaço de armazenamento


    Por que o Xbox 360 é uma melhor compra que o PS3
    1. É bem mais barato lá nos EUA. E aqui, no mercado oficial, é o mesmo preço, mas vem com mais jogos e acessórios e garantia nacional.
    2. Os jogos exclusivos são melhores (Gears of War, Halo, Mass Effect, Fable 2)
    3. Vários jogos são lançados antes no Xbox.
    4. Há conteúdo extra exclusivo para download (Como GTA IV - Lost and Damned)
    5. A rede Xbox Live tem mais serviços e mais jogos de qualidade (191 contra 116 da PSN), além de mais gente jogando.
    6. Muitos dos jogos são mais baratos no Brasil (Gears of War 2 é R$ 179, Halo 3 é R$ 139. Não há ofertas assim do PS3)
    7. Tende a atrair mais desenvolvedores, pela facilidade de programação e maior base instalada.

    Espero que vocês tenham entendido a moral da história. O melhor videogame (a melhor compra é um termo melhor) depende de qual peso você dá a cada um desses quesitos. Para mim, somando tudo, se contar apenas o fator jogos, custo x benefício, fico com o Xbox. De qualquer forma eu acho engraçado os donos de PlayStation 3 reclamarem da Xbox Live paga quando os melhores jogos para o console custam R$ 279 ou R$ 289, contra R$ 179 de um Gears 2. Além do que o PS3 vir com o cabo RCA em vez de um HDMI de fábrica é uma piada, e aumenta o custo dele no fim das contas. E, convenhamos, a assinatura da Live custa R$ 120 por ano (dá pra você comprar e receber o código na hora), que eu não acho o fim do mundo.

    Ainda sobre as hipotéticas diferenças. Em 1080p os dois videogames têm gráficos iguais, eu já vi e cansei de assistir comparações entre os dois - não há vantagem clara de nenhum dos lados. Dizer que o Xbox precisaria de sei lá quantos discos para rodar Metal Gear Solid IV é complicado. Final Fantasy, que tem ainda mais cutscenes, está vindo aí igualzinho para os dois consoles. Em um disco só no Xbox. E honestamente, Grand Theft Auto IV, que tem muito mais conteúdo, diálogos e tudo o mais, saiu em um disco para os dois, igual.

    Eu não tenho, mas jogo o PS3 na casa de outros amigos que têm, e leio muitos sites estrangeiros (desisti dos fóruns do Brasil, onde a maioria é mais cego de paixão que torcedor de futebol) todos os dias para tentar trazer não simplesmente notícias para vocês, mas análises legais sobre o estado da indústria porque eu acredito que o pessoal que lê o blog aqui tem um bom discernimento do que é certo e o que é fanatismo ou sensacionalismo.

    E, aliás, eu não entendo porque as pessoas precisam "defender" o videogame. Eu não defendo nenhum - como falei, tenho um Xbox 360 mas comprarei em breve um PS3. Eu leio muito, pesquiso e testo para tentar ter uma opinião o mais equilibrada possível sobre o que vale mais a pena, até para ajudar as pessoas. Quando algum amigo meu quer comprar um videogame e pede conselho, eu não respondo na lata "compra X porque é melhor". Eu tento saber quais as preferências (é um videófilo que quer ver Blu-Ray? Gosta de Mario e Wii-Fit?), saber quanto o cara quer gastar, o que vale mais pra ele e aí eu ajudo. Videogame por videogame, tecnologicamente falando, o Xbox era bastante superior ao PS2 na geração passada, e perdeu por muito a disputa. Porque no fim das contas o que faz um videogame são os jogos. Na atual geração, eu honestamente não consigo achar nada exclusivo do PS3 muito genial (desculpem mesmo, sem brincadeira, não vejo graça nas cutscenes com história boba e diálogo repletos de clichê de Metal Gear IV). E pra mim a saga de Halo e coisas como Braid são obras de arte. Assim como para fãs, acredito, Metal Gear e Little Big Planet também o são. Vai de cada um, né?

    Ficamos bem, amigos? Comecem a discussão aí embaixo, civilizadamente, por favor. =) E, mais calmos, assistam ao Zero Punctuation. É meio velhinho já, mas divertido.

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