O antigo Second Life Blog virou este Próxima Fase. O jornalista Pedro Burgos, colaborador da revista e viciado em joguinhos, conta aqui as polêmicas, os lançamentos e os assuntos mais fervidos do mundo dos games
Achei um divertido "FAQ para idosos" do GTA IV. Se alguma pessoa idosa mora com você, a chance de ter ouvido alguma dessas perguntas é imensa. Eu traduzi o diálogo fictício criado pelo pessoal do 23/6. A moral da história: é impossível "traduzir" algo como GTA para alguém com mais de 70. E não me venha dizer que sua avó programa em Flash, porque é mentira ou ela tem um raro caso de Alzheimer reverso.
O que é esse negócio de Grand Theft?
É um jogo de videogame. GTA IV é o último lançamento de uma série que começou em 1997.
Que nem no fliperama?
Não, no seu computador.
Computadores!
Perdão?
Arruinando o mundo! O que eles trouxeram de bom?
E-mail. Pesquisa.
E-mail! Por que não mandar logo uma carta?
Bom, porque é muito mais lento?
Por que você é tão ocupado? Quem você é? O Presidente?
Não, é só que...
Pornografia. É por isso que você fica ocupado com o computador.
Estávamos falando de GTA.
Eu sei disso. Eu não sou senil, você sabe. Mas então, por que eles chamam o jogo assim?
Por que no jogo você está no papel de um criminoso (theft é roubo, em inglês).
E por que alguém iria querer fazer isso?
Pra vencer o jogo. Você tem de trabalhar para subir na hierarquia do crime organizado.
E se você for pego? Você vai passar o resto da sua vida na cadeia!
É só um jogo de computador.
E por que eles não fazem um jogo chamado “parem de jogar o dia todo e arrume um emprego!” Talvez seja o que você devesse jogar.
Não sei se seria muito popular.
Mas então, esse vídeogame. É que nem pong?
Não. É um jogo do tipo “sandbox”.
Quem?
Um jogo sandbox. Significa que não é estritamente linear e o jogador tem alguma liberdade de movimento dentro do jogo.
Isso é aquele e-mail, que você tava falando?
Não. E-mail é diferente.
O que mais tem nessa coisa? Eu não tenho o dia todo. Tenho um compromisso.
Bom, a série também é conhecida pelo alto custo da produção, a música e por usar vozes de atores famosos.
Quem, por exemplo?
Michael Madsen.
Nunca ouvi falar.
Samuel L. Jackson.
Nunca ouvi falar.
Ray Liotta.
Nunca ouvi falar.
Burt Reynolds.
Ele eu já ouvi falar.
Oquei.
Ele não é nenhum Gene Kelly, vou te dizer.
O que você disser.
Por que você não manda isso por e-mail pra alguém?
É… Tá bom.
Quem é você, aliás? O que você tá fazendo aqui?
Você tava me perguntando sobre Grand Theft Auto.
Grand Theft o quê?
Acho que é melhor eu ir andando.
Você quer coçar meu pé?
Eu definitivamente tenho de ir.
Descobri hoje que Guillermo Del Toro, um dos meus diretos favoritos, gosta de videogames. Não, não é o Wii ou "eu jogava Pong quando era moleque". Ele realmente joga e entende. Por exemplo, para ele há duas obras-primas do gênero: Ico e Shadows of the Colossus, escolhas de quem entende do pixelado. Diz o homem: "videogames são uma excelente ferramenta para se contar histórias, uma que os cineastas deveriam abraçar em vez de rejeitar. Nos próximos 10 anos os jogos produzirão algumas obras-primas da narrativa. Hoje eles já permitem ao espectador (ou jogador) narrativas mais imersivas que a maioria dos filmes. Nem todos, mas a maioria".
Guillermo del Toro diz que pode seguir os passos de Vin Diesel e Peter Jackson, que abriram estúdios de criação de jogos e fizeram boas conexões com seus respectivos filmes (Chronicles of Riddick - Scape from Butcher's Bay é ótimo, assim como os da trilogia do Senhor dos Anéis). Em vez de ficarem disputando audiência ou xingando os videogames, os cineastas poderiam parar de fazer adaptações bizarras de games e tentar a sorte em desenvolver um jogo, por que não? Deu certo com Spielberg... Queria ver a coisa genial que saísse da cabeça do criador do fabuloso Labirinto do Fauno, que para a alegria dos fãs de Tolkien dirigirá O Hobbit (previsto para 2011) no cinema. O homem entende de monstros, pode ter certeza.
Pelo menos é o que diz o Wii-Fit. A Nintendo pegou duas atletas da seleção americana de futebol feminino e colocou para tentar a sorte no Wii-Fit. Logo no início elas fizeram o teste para verificar a "idade corporal", um pouco como no Brain Age. As duas foram miseravelmente mal. E no jogo de testar o reflexo dando cabeçadas, também não se saíram lá muito bem. Aí o aconselhador do Wii-Fit é implacável e dá a dica: "você precisa fazer mais exercícios". MAIS? Não sei, mas isso pra mim é uma anti-propaganda. Se os profissionais que cuidam da forma todo dia vão mal no Wii-Fit o que esperar das pessoas comuns? Ou será que o resultado é um bocado aleatório? Assim como bandas de rock não mandam bem em Rock Band, aprendemos uma lição: treino é treino, jogo é jogo. E as americanas podem até ter ganhado do Brasil na final ontem, mas aposto que nos minigames de Wii-Fit elas tomam um banho das nossas atletas. Eu proponho um tira-teima lá em casa. A Heather Mitts pode pintar lá, sem mágoas.
OWNED. Sabe quando um sujeito quer dar uma de bonzão e leva uma resposta mostrando a superioridade de seu nêmesis? Pois foi o que rolou aqui, resultando na resposta mais criativa sobre um problema de jogo em todos os tempos. Um figurinha colocou um vídeo no Youtube mostrando o quanto que o Tiger Woods PGA Tour era estranho – um glitch permitia que você batesse a bola no meio de um laguinho como se estivesse em terra firme, coisa que o cara apelidou muito bem de Jesus Shot. Em vez de lançar um patch para consertar o problema, a Electronic Arts chamou o Tiger para fazer esse vídeo aí em cima. Absolutamente genial. E o jogo? Essa última versão eu não experimentei. Mas certamente foi uma das séries que eu mais joguei no Xbox 1. É viciante. Sério. Golfe pode ser bem divertido, pelo menos no videogame (na vida real eu já tentei, é dificílimo). E como se vê, o Tiger é um cara do outro mundo.