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Blogs Superinteressante - Mulher das Estrelas

Blog Mulher das Estrelas, por Duilia de Melo
A astrônoma brasileira Duilia de Mello conta como é trabalhar na NASA
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Duilia de Mello é astrônoma e pesquisadora do Goddard Space Flight Center da Nasa, em Maryland (EUA). Em Mulher das Estrelas ela fala sobre os bastidores da agência espacial norte-americana e sobre como é trabalhar com alguns dos mais importantes cientistas do mundo

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    Rosetta pertinho do Steins

    06 Set 2008 19:14

    Uma batatona que parece um diamante? não, apenas um asteróide visto de pertinho pela sonda espacial Rosetta da Agência Espacial Européia. O asteróide é o Steins de 4,6 km de diâmetro e localizado no cinturão de asteróides que fica entre Marte e Júpiter. A sonda Rosetta foi lançada em 2004 e está a caminho do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, uma jornada que vai continuar por mais 7 anos.


    Vida de observador

    02 Set 2008 23:42

    Atendendo aos leitores, deixa eu contar um pouquinho como é a vida de um astrônomo nas montanhas. A vida de observador é uma vida fora da realidade, inclui dormir poucas horas, tomar café da manhã na hora do almoço e preparar o telescópio para a noite que em certas latitudes durante o inverno pode ser bem longa, chegando a mais de 13 horas consecutivas. Em alguns observatórios, como o Europeu de la Silla, o lanche da meia-noite é o high-light da noite. Astrônomos se revesam com os assistentes e colaboradores para um lanchinho que pode ser degustado no restaurante do observatório.  No inverno, a esta altura o astrônomo já está observando a mais de 5 horas e um omelete quentinho tem um sabor indiscritível e recarrega as baterias para as outras 6-7 horas que vem pela frente. Em outros observatórios, como no americano CTIO, o lanche da noite é preparado com antecedência pelos cozinheiros e entregue ao astrônomo antes de subir para observar ao entardecer. Observatórios menores não são tão bem equipados e o astrônomo tem que preparar a própria comida além de observar.

    Hoje em dia o astrônomo passa pouco tempo na cúpula aberta aonde fica o telescópio. Como tudo é computadorizado, o astrônomo, muitas vezes acompanhado de um assistente noturno, fica em uma sala de observações monitorando tudo pela tela do computador.

    Uma sala típica de observação tem de tudo: computadores, livros, calculadoras, frutas, sanduíches, biscoitos, muito, muito café e música de fundo. Dependendo do tipo de observação o intervalo entre um objeto e outro a ser observado é relativamente grande. Muitas vezes o mesmo objeto precisa ser observado durante um longo período de tempo para que se obtenha uma boa imagem. Seria como tirar uma fotografia com o obturador da máquina aberto. A espera pode ser entediante e a internet ajuda a passar o tempo e a preparar  os dados recém obtidos para a primeira análise. Mais para o fim da noite o cansaço vai batendo e a produtividade caindo. Eu combato o cansaço com música bem alta, e se estou sozinha canto e danço entre uma observação e outra.

    Sair caminhando pela montanha a noite é super interessante. Várias cúpulas abertas com os telescópios apontando para a escuridão da noite e muita música de fundo. Às vezes se acha algum astrônomo passeando com uma lanterninha na mão a caminho do hotel/alojamento. Isto é sinal de que algo de errado aconteceu durante as observações e tiveram que fechar a cúpula. Pode ser um problema técnico ou nuvens! E nas noites nubladas o restaurante é mesmo a única opção, a não ser que alguém organize alguma reuniãozinha. Alguns observatórios tem sala de projeção para um cinema, sala de jogos, videos e televisão. E atualmente claro que a internet mantém o astrônomo, que está alienado na montanha, informado do que se passa no resto do mundo e ajuda a passar o tempo


    Série: observatórios - CTIO no deserto chileno

    31 Ago 2008 20:52

    Na semana passada mostrei para vocês o observatório europeu de La Silla, ESO, no Chile. Hoje vou mostrar um outro grande conhecido meu, o observatório americano de Cerro Tololo, ou CTIO, também no Chile. Foi lá que fiz o meu primeiro estágio depois que conclui o meu doutorado. O maior telescópio do CTIO é o de 4m de diâmetro e o ESO tem dois telescópios de 3,6m, além de vários outros menores. O CTIO pertence ao consórcio americano de observatórios ópticos, NOAO, que tem também um famoso observatório em uma montanha no Arizona chamado Kitt Peak. O NOAO também gerencia dois outros telescópios de grande porte, os gigantes Gemini que mostrarei em breve. Vejam a aridez do deserto chileno na foto, realmente um lugar muito especial com um céu pontilhado de estrelas. Ai que saudades... 


    GLAST agora é Fermi

    28 Ago 2008 09:09

    Quem se lembra da campanha que a Nasa começou em março aceitando sugestões para batizar o satélite de raios Gama, GLAST? Se você colocou a sua sugestão lá, como eu o fiz, olhe no seu email que a Nasa acaba de enviar o resultado final da escolha. A partir de hoje o GLAST será conhecido como Fermi, em homenagem ao físico italiano Enrico Fermi. Quem já estudou um pouco de física já deve ter ouvido falar deste pioneiro na área de altas energias. O Fermi foi um grande físico e nos ajudou a entender fenômenos importantíssimos como a origem dos raios Cósmicos. E respondendo aos curiosos, não foi esta a minha escolha. Eu tinha escolhido o astrônomo, Fritz Zwicky, pelas inúmeras descobertas dele na astrofísica e principalmente por ele ter sido o astrônomo que mais descobriu supernovas de todos os tempos. Como o GLAST, ou melhor o Fermi, vai ficar procurando por explosões de supernovas, achei que Zwicky, ou Fritz para os mais íntimos, seria um nome bem legal. Enfim, Fermi é uma grande homenagem a um grande físico. Go Fermi! Querendo saber mais sobre o Fermi satélite e o Fermi prêmio nobel, clique aqui.


    Série: Observatórios

    23 Ago 2008 10:52

    Hoje vou começar uma série de posts sobre os observatórios mundiais. O leitor já deve ter notado que eu tenho uma quedinha especial por satélites e que sou fanzoca e usuária de vários deles, mas estou passando por uma fase em que estou sentindo saudades de ir até as montanhas, virar algumas noites em claro e obter imagens minhas, tiradas por mim mesma. Eu comecei minha carreira observando no Brasil, no Laboratório Nacional de Astrofísica em Itajubá. Foi lá que aprendi a observar, mas durante o meu doutorado fui até as montanhas chilenas que são consideradas as melhores do mundo por terem baixa humidade e serem altas e isoladas. Escolhi como foto do dia, um velho amigo meu, o observatório europeu austral de la Silla, no norte chileno. Foi lá que descobri há onze anos atrás a SN1997D.

    Aproveito para dar os parabéns ao time de volei feminino que acaba de ganhar medalha de ouro!


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